apoio_psicologicoJornal da Comunidade – 10/03/2012

Alguns casais, na ânsia de terem filhos, precisam recorrer às técnicas de reprodução humana assistida, a fim de tornar esta realidade possível. Contudo, o tratamento, ao mesmo tempo que traz expectativas aos cônjuges, pode também vir acompanhado de ansiedade, estresse e incertezas, enquanto não se alcança o resultado esperado. Inúmeros exames e procedimentos são solicitados à mulher e ao homem, alguns de caráter invasivo. Nesse período, a esperança que é depositada na equipe médica para que o sonho da gravidez seja realizado pode vir a se transformar em decepção, caso ocorra insucesso. Essas são as principais razões que levam os pacientes a recorrerem à ajuda psicológica. A maioria das clínicas de fertilização disponibilizam esse serviço para orientar e dar suporte emocional aos casais.

A ansiedade pode prejudicar a relação

Vale lembrar que, para cada tentativa de fertilização, apenas 40% das mulheres engravidam. Por isso, diante de um resultado negativo, o casal deve tentar novamente. O trabalho psicológico auxilia e estimula os interessados na realização do tratamento, que necessita de muita disciplina; afinal, os procedimentos trazem um certo desconforto e as medicações são, na maioria, injetáveis.

Há quem acredite que a ansiedade possa atrapalhar os cônjuges de engravidarem naturalmente, apesar de não haver nada comprovado cientificamente nesse sentido.

Crenças infundadas

Já o psicoterapeuta do Instituto Verhum, Flávio Lobo, diz que a intervenção da ansiedade no resultado do tratamento é uma crença infundada. “Comentários desse tipo acabam por culpabilizar as pessoas inférteis, uma espécie de ‘culpa psicológica’”, avalia. “Apesar de haver estudos controversos, as principais pesquisas apontam que o estresse ou a ansiedade pré-tratamento não interfere no resultado da reprodução humana assistida”, completa. E acrescenta: “É preciso esclarecer que a infertilidade é uma enfermidade do corpo e isso não deve ser motivo de vergonha para ninguém. No entanto, a ansiedade atrapalha o nível de conforto das pessoas e isso repercute na forma como reagem ao resultado negativo”.

Crise conjugal

Segundo Flávio Lobo, o trabalho psicológico pode ser positivo também para casais que, segundo ele, adotam uma “visão tubular”, ou seja, abandonam outros projetos para depositarem todas as suas energias em um único objetivo: o filho. “Em algumas situações, a infertilidade desencadeia ou agrava uma crise conjugal. Há, ainda, casos em que as limitações constatadas durante o procedimento requerem decisões, como interromper ou aderir a tratamentos de maior complexidade, a exemplo da utilização de sêmen e/ou óvulos de doadores anônimos”, afirma. “Situações como essas demandam mais ainda a atenção e o suporte psicológico”, frisa.

De acordo com Flávio Lobo, alguns casais desistem do tratamento depois de serem atendidos pelo psicólogo. “A conversa com o terapeuta ajuda os cônjuges a explicitarem um para o outro os seus desejos e receios. Dizer ‘não’ pode ser mais fácil depois disso”, conclui.