Psicologia

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A infertilidade não implica apenas uma condição de saúde ou doença, mas a interrupção de um projeto de vida. Muitas vezes, os pacientes que procuram serviços de Reprodução Assistida chegam frustrados, ansiosos e se questionando sobre o sentido de estarem passando por isso.

Muito embora algumas pessoas já tenham clareza de seus diagnósticos antes de procurarem o tratamento, boa parte tem que lidar com a notícia a partir dos resultados de exames mais específicos, solicitados por especialistas. O impacto do diagnóstico pode ser significativo e repercutirá na adesão ao tratamento. Uns terão dificuldades para aceitar, procurarão outros serviços e opiniões. Outros precisarão de tempo até procurar ajuda. Mas boa parte iniciará o tratamento imediatamente, às vezes até com sentimento de alívio por ter uma explicação objetiva acerca do que está causando o problema.

Em nossa cultura, muitos tentam explicar a infertilidade em função de questões psicológicas, morais e até espirituais. Estas hipóteses muitas vezes escondem mitos e preconceitos que culpabilizam mulheres e homens por sua infertilidade. São comuns sentimentos de frustração, tristeza e menos-valia. A tudo isso se soma o sentimento de culpa daqueles que adiaram o projeto de filhos. Mais que frequentemente que os homens, as mulheres se fragilizam diante do estigma da infertilidade e vivenciam sintomas de ansiedade e depressão.

Sabemos que não é simples lidar com um diagnóstico de infertilidade e que as pessoas precisam de suporte e tempo para lidar com a situação. No entanto, é nosso papel esclarecer que a infertilidade é uma questão de saúde, e não de merecimento. Não há culpados por esta situação.

A aceitação da condição de infertilidade é um passo fundamental para a adesão ao tratamento. A partir daí as pessoas podem parar de sofrer pelas causas do problema e passam a focar no que podem fazer para tentar solucioná-lo.

Embora não represente uma solução para todos os casos, a crescente evolução tecnológica em reprodução assistida contribui para que muitas pessoas inférteis realizem o tão sonhado projeto de aumentar a família.

O tratamento pode gerar grande ansiedade, já que estão em jogo desejos e expectativas que se deparam com a incerteza do resultado. Este é outro desafio para as pessoas em tratamento: lidar com a possibilidade de um resultado negativo.

É importante o otimismo para o enfrentamento de problemas, mas realmente temos que admitir a incerteza do resultado no tratamento de infertilidade. Portanto, defendemos uma postura de otimismo realista. Esta favorece o equilíbrio de razão e emoção, que será fundamental para os pacientes que precisarão lidar com importantes decisões relacionadas ao projeto de filhos.