Dia Nacional do Orgulho LGBTQIAPN+: como funcionam os tratamentos de reprodução assistida em pessoas trans? Especialista tira principais dúvidas

Técnicas de reprodução assistida avançam no país e permitem a pessoas LGBTQIAPN+ realizar o sonho de ter filhos biológicos; Entenda as possibilidades

O Dia Nacional do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em 28 de junho, reforça conquistas na luta pela igualdade e inclusão, assim como a conscientização em prol desta comunidade. 

Um dos avanços se reflete na área da reprodução humana assistida, com técnicas de fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial, congelamento de óvulos e de sêmen, e a doação de óvulos ou esperma, direcionadas às necessidades específicas de pessoas transgênero, que têm mudado a história dessa parcela da população que deseja gerar filhos biológicos.

E, acompanhando a constituição de diferentes tipos de famílias, a medicina reprodutiva no país evoluiu e tem diminuído, significativamente, as dificuldades da população LGBTQIAPN+ de realizar o sonho da maternidade/paternidade. 

Para se ter ideia, somente em 2013, uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) (nº 2.013/13) permitiu, de forma explícita, que as clínicas e serviços de reprodução humana realizassem técnicas de reprodução assistida em casais do mesmo gênero no Brasil, e em 2021 incluiu também pessoas trans. Sabemos que esse tratamento já é realizado para população LGBTQIAPN+ há mais tempo, porém ter isso explicitado nas resoluções do CFM foi uma das muitas vitórias conquistadas pela comunidade nos últimos anos. 

Nesse cenário, pessoas LGBTQIAPN+ já podem viver a tão sonhada espera de um filho, levando em consideração suas próprias escolhas, momento e, principalmente, individualidades, conforme relata Dra. Carolina Rebello, especialista em Reprodução Assistida da Vida Bem Vinda, unidade do FERTGROUP. 

“A parentalidade para pessoas trans é o resultado de muita luta e resiliência dessa população, que tem como aliado o desenvolvimento científico amplo na área de fertilidade. É nosso papel disseminar os avanços da medicina reprodutiva para que essas possibilidades alcancem cada dia mais pessoas de forma ainda mais inclusiva”, afirma. 

De acordo com a especialista, no Brasil, há clínicas especializadas em reprodução assistida que contam com equipe multidisciplinar, e opções para diferentes núcleos familiares. “Entre elas estão a fertilização in vitro, inseminação artificial e a barriga solidária, desde que seja entre parentes de até quarto grau”, explica. “E, no caso da barriga solidária, a pessoa que irá gestar precisa ter ao menos um filho, ser maior de 18 anos e estar disposta a gerar o bebê sem fins lucrativos, ou seja, sem receber nada em troca.”, acrescenta.

A seguir, a Dra. Carolina Rebello esclarece as principais dúvidas a respeito:

É importante preservar a fertilidade antes de qualquer terapia de adequação de gênero ou uso de terapia hormonal?

Sim, esse seria o ideal, e a preservação por meio de gametas é o caminho mais indicado. Trata-se de uma técnica de congelamento de -196ºC que pode ser feita em óvulos, tecido ovariano, espermatozoides e embriões, cujas circunstâncias inativam seu metabolismo, mas preservam sua viabilidade. 

Para as mulheres trans esse tratamento se faz mais urgente, já que o uso de estradiol pode prejudicar de forma irreversível a qualidade e quantidade dos espermatozoides. Já para homens trans, é possível interromper o uso de testosterona por alguns meses para prosseguir com o congelamento de óvulos sem grandes perdas em qualidade e quantidade. Porém, sabemos que pode ser necessário a interrupção da testosterona por meses, podendo levar ao retorno da disforia. Por isso, mesmo nesses casos, sugerimos fortemente o congelamento de óvulos antes do início da T. 

– Quais as opções para pessoas transgênero?

Para mulheres trans, é indicado a coleta e o congelamento de sêmen. Já para homens trans, a opção é congelar os óvulos, que são coletados diretamente dos ovários após estímulo hormonal. 

Posteriormente, os gametas podem ser descongelados e fecundados em laboratório, junto ao gameta oposto, obtido de um parceiro ou de um banco de doação. Essas técnicas permitem aos pacientes gerarem filhos quando desejarem. Mas vale lembrar que isso deve ser feito, preferencialmente, antes do início do uso de qualquer terapia hormonal.

No futuro, a gestação pode ocorrer com a pessoa do casal que tem útero – inclusive por homens trans – ou por uma barriga solidária.

– Pessoas que fazem uso de terapia hormonal há muito tempo podem gerar filhos?

Sim, inclusive de forma natural. Vale lembrar que as terapias hormonais não são contraceptivas, e que pessoas trans que têm relação com penetração pênis – vagina devem usar métodos contraceptivos. 

Contudo, mesmo assim, a qualidade do material biológico pode ser afetada. Por isso, sempre consideramos o congelamento de gametas antes do início dos tratamentos hormonais.

Quais os tratamentos indicados?

A gestação natural é sim uma opção para casais que têm relação pênis-vagina. É necessário a interrupção da terapia hormonal por alguns meses e uma avaliação pelo ginecologista especialista em reprodução assistida para avaliar a viabilidade de uma gestação natural para esse casal. 

Para casais de duas pessoas com útero ou duas pessoas com pênis, ou para casais que não desejem gestação natural, todas as técnicas de reprodução assistida podem ser aplicadas. 

A fertilização in vitro (FIV) e a inseminação intrauterina podem ser utilizados para casais LGBTQIAPN+.

Na inseminação intrauterina, podemos utilizar o sêmen de uma pessoa do casal ou de um banco de doação, e a inseminação é realizada na pessoa do casal que irá gestar (homens trans ou mulher cis).

Na FIV, podemos utilizar tanto os óvulos quanto o sêmen das  pessoas do casal ou de um banco de gametas. O embrião, formado no laboratório de reprodução assistida, é transferido para o útero de quem vai gestar – uma mulher cis, o homem trans ou uma barriga solidária. 

Lembrando que na gestação do homem trans também é necessário interromper o uso da testosterona antes e durante toda a gestação.

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Responsabilidade Social

Com o propósito de cooperar para a construção de um mundo melhor, o Instituto Verhum vem realizando ações sociais desde 2006, através de projetos embasados na solidariedade, na ética e no desenvolvimento sustentável.

Nos últimos anos, o número de famílias em situação de vulnerabilidade social aumentou consideravelmente no Brasil, tornando urgente a necessidade de intervenções para promover uma sociedade mais justa e igualitária.

Pensando nisso, o Instituto Verhum iniciou três projetos de apoio à comunidade do Distrito Federal:

1 – Mutirões de Atendimento Gratuito De tempos em tempos, a equipe do Verhum disponibiliza consultas gratuitas para casais que sonham em ter filhos, mas encontram dificuldades para concretizar esse sonho. As consultas são oferecidas nas especialidades de urologia ou reprodução assistida e acontecem por ordem de agendamento.

2 – Projeto Ser Mãe Esse projeto visa auxiliar os casais de baixa renda que sofrem de infertilidade. O objetivo é ofertar consultas, exames e orientações para aumentar as chances de gravidez natural. Todas as etapas do atendimento são realizadas de forma atenciosa e acolhedora, em total consonância com a medicina humanizada.

3 – Verhum Solidário Através desse projeto, o Instituto Verhum destina parte do seu orçamento para doar cestas básicas às famílias carentes do Distrito Federal. Para a próxima edição, as doações ocorrerão no mês de dezembro e têm o objetivo de contribuir para um Natal melhor para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Todos os projetos do Instituto Verhum estão alinhados às metas de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas. Essas metas têm a finalidade de erradicar a fome e a pobreza, proteger o meio ambiente e assegurar que as pessoas, em qualquer lugar do mundo, possam desfrutar de paz e prosperidade. Também visam garantir o acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo planejamento familiar, informação e educação, bem como a integração da saúde reprodutiva em estratégias e programas nacionais.

Desse modo, o Instituto Verhum reafirma seu compromisso social e fortalece sua filosofia institucional, baseada na empatia, no respeito e na valorização do ser humano.

É importante ressaltar que todos os projetos em prol da comunidade só se tornaram possíveis graças à extraordinária equipe do Instituto Verhum, que se empenha dia após dia em praticar seu trabalho com máxima dedicação e amor ao próximo. Sem a ajuda de nossos médicos e colaboradores, seria impossível realizar ações altruístas capazes de transformar a vida da nossa comunidade.

A responsabilidade social é mais que um valor para o Instituto Verhum. Na verdade, o compromisso com a sociedade faz parte do nosso propósito e da nossa história, pois compreendemos que servir às pessoas é a nossa principal vocação.

Para participar dos projetos solidários do Instituto Verhum, fique atento(a) às nossas redes sociais ou entre em contato pelo WhatsApp (61) 9660-4545.

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