O psicólogo Flávio Lobo em entrevista ao portal Terra: ajuda psicológica para o tratamento

flavio_loboAlém de todas as questões médicas que envolvem um processo de reprodução assistida, a dúvida sobre as condições financeiras do casal para bancar todo o tratamento pode representar um fator a mais de preocupação emocional. De acordo com Flávio Lobo, psicólogo do Instituto Verhum, especializado em reprodução humana, pessoas com restrições orçamentárias podem contar com um nível de ansiedade maior.

Para lidar com essa questão, o primeiro passo é a orientação dos médicos quanto às taxas de sucesso da reprodução assistida. Esse índice varia de acordo com a gravidade do caso e a idade da mulher, mas gira em torno de 35%. “É fundamental que as pessoas tenham ciência de que, no final das contas, têm mais chance de não obter gravidez. O meu papel é avaliar se o casal está com uma postura realista”, afirma Flávio.

Além disso, o aconselhamento deve incluir também a discussão de alternativas e desdobramentos, já que é comum que a gravidez não aconteça na primeira tentativa de fertilização. O médico pode orientar sobre a possibilidade de congelar os embriões que não foram implantados na primeira vez. Assim, o método se torna mais barato nas vezes seguintes.

Dinheiro e ansiedade

Ainda que o dinheiro seja um dos componentes que geram preocupação, ele não costuma ser o principal fator. Um estudo conduzido por Alice Domar, diretora de Mind/Body Services na clínica Boston IVF, dos Estados Unidos, analisou pacientes que recebiam auxílio financeiro dos estados e não precisaram pagar pelo procedimento. A pesquisa constatou que metade deles desistia do tratamento antes de completar o número de ciclos que poderiam fazer. O estudo mostrou que não é o dinheiro que faz o casal continuar no tratamento.

Segundo o médico, os fatores emocionais pesam mais que a questão financeira. “Psicologicamente, é muito doloroso não conseguir engravidar”, diz. De acordo com Flávio, os pacientes procuram ajuda psicológica normalmente por conta das questões biológicas que dificultam a gravidez, não pela falta de dinheiro.

Outras possibilidades

Para os casais com renda mais baixa, existem programas privados de popularização do tratamento. Um deles é o Acesso, realizado pelo Programa de Bem-Estar para Pacientes Crônicos (ProBem). Há, também, alguns hospitais que oferecem o tratamento gratuitamente.