Saúde da mulher em foco

09-07-2012_saude da mulher

Profissionais de ginecologia e obstetrícia estiveram presentes em três eventos conjuntos na capital federal, com o objetivo de debater e apresentar os mais novos estudos na área. Os médicos Jean Pierre Barguil Brasileiro e Vinicius Medina Lopes, do Instituto VERHUM, estavam entre os professores nacionais convidados

Três congressos de ginecologia e obstetrícia aconteceram conjuntamente, entre os dias 27 e 29 de junho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, promovidos pela Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal. Um deles, relacionado a controvérsias em ginecologia e obstetrícia, foi criado para debater abordagens distintas em vários tratamentos.

 

PARTO NORMAL

Dentre os diversos temas discutidos nos três congressos, o presidente dos eventos, médico Alberto Zaconeta, destacou um que chamou muito a atenção dos participantes, referente à possibilidade de oferecer parto normal para mulheres que já tiveram uma cesária. “Entendemos que o parto normal é o mais natural e é bom evitar a primeira cesária. Mas se isso não for possível, numa outra gravidez ainda é vantajoso optar pelo normal”, argumenta. “Conseguimos isso em mais de 70% dos casos de mulheres que tiveram cesária anterior”, diz o médico.

 

OPINIÕES DIVERSAS

James Cadidé, professor da Universidade Federal da Bahia, presidiu a mesa na qual se discutiu se a mulher em uso da metformina deve continuar esta terapia em caso de gravidez. O tema dividiu opiniões. Sabe-se que a metformina é um hipoglicemiante oral, que tem sido usado largamente para tratamento da síndrome dos ovários policísticos. No passado, já havia um questionamento sobre o uso desse tipo de substância na gravidez, pois os hipoglicemiantes, de outras linhas, eram considerados nocivos para o feto.

De acordo com Cadidé, o uso da metformina é recente e a literatura sobre isso ainda é muito controversa. “Alguns cientistas mostram que não há efeito danoso para o feto, mas existem outros que admitem a possibilidade de malefícios, como má-formação”, aponta. Para o professor, esse debate não visa chegar a uma conclusão definitiva, já que são necessárias mais pesquisas, a fim de garantir segurança absoluta acerca do uso da droga. Por outro lado, a discussão alimenta o conhecimento dos médicos presentes para que possam tomar decisões junto a suas pacientes.

 

CÂNCER DE OVÁRIO

O ginecologista oncológico Jesus Carvalho, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e professor de medicina da Universidade de São Paulo, realizou duas conferências sobre o câncer de ovário. Uma delas abordou os novos avanços no entendimento da doença. “Este tumor nasce nas tubas uterinas e depois atinge o ovário, mas, até há poucos anos, não sabíamos onde esse câncer se originava. Por isso, todos os projetos e programas de prevenção e diagnóstico nessa área nunca deram certo, porque, na verdade, muito antes de aparecer a doença no ovário, ela já existia nas tubas”, afirma Carvalho.

Os tratamentos para debelar esse tipo de tumor, portanto, devem passar por mudanças; porém, de acordo com o oncologista, ainda não existe uma linha definida para isso. “É uma descoberta muito recente. Quando se sabe onde uma doença começa é mais fácil traçar estratégias para interromper o seu curso”, comenta. “A princípio, o tratamento implica em retirar as trompas, um fato que ainda não é muito aceitável e divulgado. Estamos tentando achar a melhor forma e quais são as mulheres que realmente precisam fazer isso”, pondera.

 

Contraceptivos

Também foram apresentados, em outra conferência, estudos comparando o uso de anticoncepcionais em regime contínuo com o cíclico, em que há pausa de média de sete dias. Conforme o médico Rogério Bonassi Machado, não existe diferença entre os dois grupos, do ponto de vista metabólico. “Alguns ginecologistas questionam se há possibilidade de acúmulo hormonal e efeitos deletérios, por exemplo, sobre o metabolismo ou até sobre a taxa de fertilidade, no método contínuo. Mas quando se compara essas pacientes com aquelas que fazem o uso cíclico do medicamento, tudo o que acontece em um grupo ocorre também no outro”, diz.

Sobre o risco de câncer de mama, os trabalhos mostram similaridade entre os grupos, mas não há ainda nenhum estudo que estabeleça uma comparação semelhante em relação ao risco de tromboembolismo. “É importante lembrar que o fenômeno tromboembólico venoso oriundo de contraceptivos normalmente ocorre no primeiro ano de uso, e o estudo foi realizado apenas com mulheres que usaram pílulas em regime de pausa. Se o problema fosse por acúmulo hormonal, a incidência de trombose seria aumentada ao longo do tempo de uso, e não é. Parece ser um evento mais qualitativo que quantitativo”, avalia Bonassi.

 

Jornal da Comunidade: Beatriz Vasconcelos